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Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012
Sábado, 21 de Janeiro de 2012
Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012
smoke long stories #5
A Minha Amiga Heroína
Os problemas surgiram há exatamente cinco anos, três meses e uma semana.
O dia era, presumivelmente, o meu “dia feliz”; completava o meu décimo segundo aniversário e vivia-se o dia 12 desse mês.
Acordei feliz. Deixava a criancice para trás e ingressava na equipa dos adolescentes. Sonhara e planeara uma festa colossal, com todos os meus amigos e familiares mais próximos; receberia inúmeros presentes e seria o centro de todas as atenções e o recetáculo de todos os mimos e carinhos.
Contudo, naquele dia recebi realmente muita coisa, mas nada do que ansiava.
Ao contrário do que era habitual, meu adorado pai chegou a casa logo após a hora de almoço aliás, foi trazido a casa por essa hora. Vinha completamente embriagado. Pelo que vim a descobrir mais tarde, pela manhã tinha sido chamado ao escritório do chefe que o despediu sem apelo nem agravo. Foi como se lhe tivessem tirado “o chão debaixo dos pés”.
Não queríamos acreditar.
Estranhamos
Perguntamos
Apanhamos
Cintos
Vassouras
Ferros
Brados
Gritos
Sangue
Choro
A postura decaiu. Nunca mais consegui olhar aquele homem e reconhecer meu adorado pai. Levantava-se bem tarde. Saía de casa.
Ébrio
Violência
Vendemos a casa e alugamos um casebre.
Minha mãe transformou-se num saco de porrada. Desesperou e do desespero imitou-o. Nasceu-lhe o vício.
Ébrio, ébria
Nunca tínhamos o que comer e o pouco dinheiro que entrava, destinava-se à compra de vinho. Ia à escola quando não tinha de curar os ferimentos de um ou de outro. Quando as escaramuças eram violentamente audíveis, um ou outro vizinho mais corajoso entrava pelo pardieiro adentro e resgatava-me para sua casa. No dia seguinte já sabia que, ao regressar, levaria pancada do meu pai e teria de acompanhar a mãe ao hospital, onde já me conheciam bastante bem.
Foram meses assim.
Institucionalizado
Medo
Hoje, a 12 de dezembro de 1994, faço os meus 17 anos e já sei que não vou receber nem presentes, nem carinhos, nem mimos. Acordei agora e vou fazer o que sempre fazem os institucionalizados: tratarei mal os “profs”, que insistem que eu devia reaprender a ler, cravarei bolos e outros doces aos putos, os caloiros lá da escola. De tarde, vadiarei pelas ruas da cidade e, se não arranjar dinheiro pela manhã, terei de roubar qualquer coisa para alimentar o corpo com a heroína que comprarei no sítio do costume. Talvez por hoje ser o meu aniversário me façam um desconto…
À noite, se conseguir, volto à instituição.
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012
Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012
Domingo, 15 de Janeiro de 2012
Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012
Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012
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